sexta-feira, 4 de abril de 2008

Maia: o herói de Abril


Madrugada de 25 de Abril de 74, parada da Escola Prática de Cavalaria, em Santarém:
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"Há diversas modalidades de Estado: os estados socialistas, os estados corporativos e o estado a que isto chegou! Ora, nesta noite solene, vamos acabar com o estado a que chegámos. De maneira que quem quiser, vem comigo para Lisboa e acabamos com isto. Quem é voluntário sai e forma. Quem não quiser vir não é obrigado e fica aqui."
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Todos os 240 homens que ouviram estas palavras, ditas da forma serena mas firme, tão característica de Salgueiro Maia, formaram de imediato à sua frente.Depois seguíram para Lisboa e marcharam sobre a ditadura. In wikipédia
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Fernando José Salgueiro Maia nasceu em Castelo de Vide a 1 de 1944, e faleceu em Santarém, a 3 de Abril de 1992.
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Ontem, dia em que passaram 16 anos sobre a sua morte, tive a oportunidade de homenagear pelo segundo ano consecutivo, ao mesmo tempo que desempenhava as minhas funções de jornalista, aquele que, para mim, é o herói maior do 25 de Abril.
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Desde que comecei a estudar história na escola, ou pelo menos a percebe-la, que a Revolução dos Cravos se tornou num dos meus capítulos preferidos. Foi também a partir desse momento que me interessei, definitivamente, pela figura Salgueiro Maia. Pela coragem, por saber dizer as palavras certas nos momentos certos (de uma fase tão crítica), e sobretudo, porque julgo que este homem, de pequena estatura, mas de alma imensa, congregou em si um conjunto de valores que se não estão já extintos, para lá caminham.
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Aquele que é talvez o mais conhecido de todos os capitães de Abril, nunca quis protagonismo, e apesar de ter sido ele, com a sua coragem, o verdadeiro escudo do povo às balas da ditadura, não tinha como objectivo qualquer cargo no poder. Maia conquistou a liberdade com ideais, com principios, e com determinação. E afastou-se. Se o país tomou depois o rumo sonhado ou não, é uma outra questão.
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Um dia depois da homenagem de que foi alvo em Santarém, o que de resto acontece a cada aniversário do seu desaparecimento, fica no Escrito à Noite o meu muito obrigado, e a minha humilde e eterna admiração.

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