segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

A Praxe é dura, mas é a Praxe? Ou praxantes estúpidos, praxes parvas?


Santarém conheceu, durante o dia de hoje(com a audição de mais testemunhas), o segundo espisódio de uma triste história que, infelizmente, tem encontrado paralelo demasiadas vezes.
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Ponto prévio número um: Fui praxado.
Ponto Prévio número dois: Fui praxante.
Ponto Prévio número três: diverti-me muito mais enquanto caloiro praxado, do que enquanto "veterano" praxante.
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E porquê? Porque enquanto caloiro tive o privilégio de ser praxado por "veteranos" razoáveis, que conheciam o verdadeiro propósito daquilo que deve ser a Praxe. Apresentaram-me a uma nova cidade, e criaram condições para que nela me sentisse em casa. Ao mesmo tempo fiz amigos que vão permanecer entre as minhas relações para o resto da vida. Encontrei uma segunda família. Para quem estava numa cidade a 300 km de casa acho que não se pode pedir muito mais.
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No ano de 2002, mais concretamente no mês de Outubro, Ana Santos vivia os seus primeiros dias na Escola Superior Agrária de Santarém. Por esta altura, para quem não sabe, decorre nas instituições de ensino superior portuguesas, a Praxe.
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Não interessa saber se não estava ao corrente daquilo que lhe iria acontecer. Se com um pouco mais de personalidade poderia ter evitado, ou não, o que lhe aconteceu. O que é facto, é que escondidos atrás do velho pretexto da integração, os "veteranos" da Escola Superior Agrária de Santarém mergulharam, e "barraram" a Ana Santos, em esterco e escrementos de porco. Literalmente.
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A Ana Santos não se ficou, e apresentou queixa. O caso chegou (finalmente) por estes dias a tribunal, como podem ler aqui.
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Sou um apoiante da Praxe, quando ela acontece como me aconteceu a mim. Sou contra a Praxe, quando acontecem coisas como esta que aconteceu à Ana. Aí deixa de ser Praxe e passa a ser estúpidez.
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Como é que alguém pode querer integrar alguém em alguma coisa ao mergulhá-lo em merda?
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Chamar a isso integração, a menos que se fale em integração em sanitas e/ou penicos, é fazer pouco da língua portuguesa, e da inteligência de quem a tem.
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Infelizmente, este é mais um episódio que vem dar argumentos aos que são contra a praxe. E aos que a deitam abaixo, assim como a outras tradições académicas, apenas porque sim. Infelizmente este é mais um troço no caminho da Praxe para o seu fim. Infelizmente esta é mais uma história que não contribui muito para, a já de si debilitada, reputação do estudante universitário em Portugal. E é pena. Porque se tudo isto for bem feito, e bem vivido, é muito, mas mesmo muito divertido.
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Aos apoiantes da Praxe, como eu, resta aceitar as críticas, e torcer para que haja mais alunos/as, como a Ana, a denunciar estes abusos de praxantes estúpidos, que fazem praxes parvas. É que eu ainda acredito que estas são as excepções, no meio da regra daquilo que deve ser uma boa Praxe. Como a que eu tive o prazer de viver.

5 comentários:

Anónimo disse...

eu até concordo ...... mas se a menina ficou assim tã ofendida porque esperou até ao fim do semestre para qpresentar queixa??? foi por causa da praxe que ela não conseguio concluir nenhuma cadeira??? Enfim,parece uma historia com falta de alguns paragrafos.

Afonso Martins disse...

Não sei porque é que nao acabou nenhuma cadeira. Nem tão pouco porque é que só apresentou queixa no final do semestre... E também não acho que isso justifique ou deva branquear a acção inclassificável que que foi vítima.

Rui Afonso disse...

Oh meu caro! Não há Lilianas que estraguem, com acusações dúbeis, aquilo que é a praxe. Se bem te lembras, estamos aqui para reprimir exageros, para desfeitar quem se quiser aproveitar de um putativo cargo mais alto. Fui praxado, fui praxante (e tu foste um dos meus alvos ;)) e considero-me um dos vigilantes, actualmente. Não será à toa que Braga se mantémn quase imaculada no que a estas questões diz respeito. Há, nesta história, uma certeza. A senhora em causa, sabedora do que se iria passar, apresenta a sua ficha anti-praxe duas semanas depois do sucedido... Mediatismo... E o burro sou eu???...

Afonso Martins disse...

Continuo a dizer que ela saber o que lhe ia acontecer, ou não, não justifica o que lhe fizeram :)

O que esta aqui em causa não é o que acontece antes, ou depois. É mesmo o durante... Aquilo que foi feito não é praxe, nem integração. Nem em Santarém, nem em Braga nem em lado nenhum. É pura estupidez. Reforço: sou pela Praxe e contra a
estupidez.

Não são as "Lilianas" que estragam a Praxe. São aqueles que fazem com que ela deixe de ser útil e divertida, e passe a ser matéria de jornal e tribunal. Pelos piores motivos...

Alf

Anónimo disse...

Pensem o que quiserem mas ninguém tem o direito de fazer uma praxe que rebaixe tanto a dignidade humana. E se pensam que a Agrária tem um grande espírito académico desenganem-se. A agrária só tem espírito para enganar os caloiros. Dizem-lhes que os vão ajudar se eles fizerem as praxes, etc, etc, etc... Tudo uma grande treta porque ali ninguém se ajuda. Pelo que vejo são os caloiros que ajudam os veteranos e não os veteranos que ajudam os caloiros. Os veteranos, a maior parte deles, só olham para o seu umbigo e nada mais. Estão-se a cagar para os outros. Acreditem.