segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Nazaré. "Tá Praia Rica!"


Noite frenética, esta de regresso ao Carnaval nazareno. Livre de importações "sem sentido", original, feito do suor e da aplicação das suas gentes. É assim há décadas! Ali o único sotaque que se ouve, é o local. As saias são sete, e bem abaixo do joelho. Posso estar a desiludir alguém, mas não se avistam meninas em bikini... e ainda bem. Porque em Portugal, Fevereiro é igual a Inverno, e como se viu neste fim de semana, a chuva e frio.

Confesso que me faz alguma impressão quererem adaptar à força, ao nosso país, outro tipo de Carnavais, cujas características não se adaptam nem ao nosso clima, nem à nossa maneira de ser. Sou por isso defensor de festas Carnavalesvas feitas com recurso à prata da casa. Não percebo como apelidam de "maior Carnaval português", um corso de escolas de samba, em que as tais meninas semi-nuas desfilam enregeladas, e de sorriso forçado, ao mesmo tempo que tentam produzir um tipo de dança parecido com aquele que se pratica (aí sim muito bem!) no Brasil.

No Carnaval onde estive na última noite de sábado para domingo, tudo é feito "à nazarena". As marchas que passam em todos os bares e ruas da vila - e que toda a gente dança sem parar - as letras para as mesmas, e até os carros alegóricos, tão tugas na forma de satirizar, indepentemente da originalidade, ou piada, que possam ter. O espírito é tão vivo que ninguém resiste, e acaba por se deixar contagiar. Arrisco a dizer que à noite, sete em cada dez pessoas que se encontram pelas ruas repletas de entrudos, estão mascaradas. Não importa de quê, nem como, importa estar!

Foi feito de amizade este regresso ao Carnaval nazareno. Em abono da verdade, essa é a principal condição para que uma noite jamais seja apagada. Mas também não desabono a realidade se disser que os amigos se cultivam muito melhor em ambientes verdadeiros, por oposição aos pláscticos.

Acho por isso que estive num dos melhores Carnavais portugueses. E não num dos melhores, ou maiores, Carnavais brasileiros de Portugal.

Para terminar apenas um desejo. Dirigido à pessoa especial que ficou com a outra "metade da minha face"... Que cuides bem dela.

Sem comentários: