quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Mundo sem sentido


Vão caíndo pedaços de desabafo sobre um rasgo de papel em branco. Aos poucos dá para perceber a ausência de sentido do desenho que vai surgindo.

Sim esse mesmo! Esse que se pinta todos os dias:

Um homem sozinho discute numa sala vazia.
Outro homem, embrulhado em trapos, morre calado no meio de uma multidão.
Existe diferença entre discursos mudos e multidões surdas? Ambos estão afogados em ruído...

As marcas carregadas dos pés, impressas no chão que foi pisado, conduzem a lado nenhum. Apenas se cruzam com as palavras ocas. É o mundo a escorregar, empurrado, das mãos do amanhã. Somos nós, perdidos num labirinto, onde todos os atalhos levam ao abismo.

Viver de esperança já não chega. É preciso voltar a construí-la.

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