terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Cartas Perdidas - Parte 1


No sonho em que te conheci era de tarde. Eu, um homem de meia cartola clara, cigarrilha de aroma a chocolate ao canto da boca, e barba bem desenhada e tratada. Aparência normal naquela altura... Tu, uma feminista de ar decidido, mas inocente. De beleza simples, mas arrebatadora. A confeitaria era o ponto obrigatório. Um lanche! Foi o que te trouxe até à minha vista. Distraída nem reparaste que fui incapaz de deixar de te olhar. Naquela tarde de mil novecentos e vinte e tal vim para casa para te escrever esta carta. Que receio que nunca chegues a receber.

Desenhas a perfeição a cada gesto. Sem saber conquistas-me a cada olhar. Sem pensar ganhas-me a cada sorriso. Sem querer salvas-me do fundo de mim. Tudo em em ti é a propósito. Sem ser de propósito.
Quando prendes o cabelo atrás da orelha, deixas a descoberto o mundo onde gosto de me perder: o fundo dos teus olhos... As palavras ditas por teus lábios são música. Teus silêncios são meus intervalos, em que tenho saudades de ti.

Algures na viagem de hoje para amanhã quero voltar a encontrar-te. No mesmo sítio, à mesma hora. Tenho muitas cartas para te escrever.

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