sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Mais leituras à noite


"... porque razão Colombo, se era genovês, fazia da sua origem um mistério? Afinal de contas, os castelhanos tinham, naquela época, boas relações com Génova (...) Agora, e atendendo à rivalidade entre portugueses e castelhanos, a presença de um português à frente de tripualções castelhanas já podia ser um problema (...) há ainda muitas mais perguntas a fazer. Por exemplo, porque razão ele não escrevia italiano, toscano ou volgare, quando se correspondia com italianos, designadamente Toscanelli? Por que motivo falava castelhano com sotaque português? Sendo um tecelão de seda sem instrução, onde aprendeu ele latim e cosmografia? O que dizer das bizarras discrepências de datas? Como dizer que, em 1474, a carta de Toscanelli o localizava em Lisboa e actas notariais genovesas, o situavam, nessa mesma altura, muito longe de Portugal?..."

O excerto pertence a Codex, o terceiro romance de José Rodrigues dos Santos, conhecido e reconhecido jornalista português. Se leram o excerto acima transcrito, decerto já apanharam a trama principal de toda a obra. Num misto de realidade e ficção, o professor Tomás Noronha, e um "castiço" Nelson Moliarte, são envolvidos numa busca codificada de uma verdade que, talvez (apenas se for verdade), convenha esconder.

Num registo simples e bem disposto, sem grandes devaneios literários, e super documentado, arriscaria dizer que estamos perante um Código Da Vinci à portuguesa (aposto que já alguém o disse). Não apenas pelo tipo de história, mas também pelo captar de atenção, conseguido quase desde a primeira página.
Para quem gosta de romances ficcionados com alguma aventura pelo meio, esta é uma opção a ter em conta.

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