quarta-feira, 22 de agosto de 2007

"Hay que salir a ganar!"

Chegou como um tufão que despertou a onda vermelha. José Antonio Camacho juntou-se ao restrito grupo de treinadores que lideraram por duas vezes o futebol do Benfica, do qual fazem parte nomes como o de Sven Goran Eriksson, Toni ou John Mortimore, só para citar alguns exemplos. Luís Filipe Vieira anunciou "uma nova era" para as bandas da Luz.

Já muito se discutiu sobre o timing desta decisão, e também sobre as culpas e desculpas de Fernando Santos. A mim parece-me que o engenheiro já devia ter saído no final da época. Parece-me que a responsabilidade da crise encarnada não é exclusiva de Santos. E parece-me ainda que Vieira corre o risco de deixar de ser parte da solução que resgatou o maior clube português das trevas em que esteve mergulhado durante mais de uma década, e o devolveu a uma situação de prestígio semi-recuperado. (Mas isso são contas de um outro rosário).

De Camacho, a curto prazo, espero que consiga transmitir uma atitude positiva à equipa - quero ver os jogadores que vestem a camisola do glorioso a comer a relva.

A médio prazo é meu desejo voltar a ver a equipa a praticar o futebol que jogava quando, sob a orientação do espanhol, conseguiu roubar o único título interno que escapou em dois anos ao FC Porto de José Mourinho que, como todos se lembram, ditava leis também por essa Europa fora. Se isto acontecer, os resultados (bons) serão uma consequência natural.

Para já, José Antonio Camacho teve o mérito de gerar nova onda de entusiamo entre os adeptos do Benfica. Ontem no primeiro apronto do novo treinador estiveram presentes cerca de quatro mil espectadores. Uns cinco ou seis jogos caseiros da União de Leiria. Sinal de quê? De que a massa associativa voltou a estar com a equipa. Tarde ou não, Luís Filipe Vieira percebeu que esta troca de treinador iria abanar todo o clube, desde o balneário, até ao terceiro anel.

Abanar já abanou, a ver vamos para que lado cai. E para isso os dois próximos capítulos desta história serão decisivos. Vitória de Guimarães, para o campeonato, e Copenhaga, decisão de acesso à fase de grupos da Champions, serão (em caso de vitória) decisivos para perceber se Camacho consegue reconstruir a equipa à sua imagem debaixo de um tecto de vitórias. Caso contrário a época do Benfica ficará hipotecada, e mesmo Luís Filipe Vieira poderá ver chegar ao fim o seu estado de graça. (Sobretudo se continuar a falar em nome da grande maioria dos benfiquistas, como o fez ao reagir às polémicas, mas acertadas, palavras do capitão Nuno Gomes após o jogo com o Leixões).

Aos que perguntam o que ganhou, afinal, Camacho ao leme do Benfica aquando da sua primeira passagem pelo clube, e que justifique tamanha popularidade, eu respondo: tanto como Paulo Bento no Sporting (em igual período de tempo). E relembro que nas Antas morava José Mourinho, senhor de uma equipa que durante dois anos foi a melhor de toda a Europa. E recordo ainda que esse Benfica de Camacho fez os pontos suficientes para ser campeão português nos (três) anos que se seguiram, score que mesmo o campeão Trapatonni não conseguiu alcançar, apesar do título.

1 comentário:

samwise disse...

é verdade camarada..interiorizas-te bem as ideias neste magnifico trecho...e vamos ver se camacho consegue fazer tantos ou mais pontos na superliga...(apesar de anteriormente ser 18 equipas..face ás 16 de agora..) mas era bom sinal;pode ser que exista mais uma grandiosa celebração do titulo por parte dos gloriosos adeptos do maior clube português...
Vamos a ele!!!